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A economia moçambicana em 2026: onde estamos e o que esperar

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O ano de 2025 encerrou-se para Moçambique como um período de crescimento moderado e ajustamento. O PIB cresceu entre 2% e 3%, abaixo do potencial da economia e das necessidades impostas pelo crescimento demográfico. Os sectores de energia, serviços e infraestruturas sustentaram o desempenho, enquanto a indústria e o comércio sentiram os efeitos das taxas de juro elevadas e da procura ainda fraca. A inflação desacelerou para uma faixa de 4% a 5%, beneficiando de uma política monetária mais restritiva. O metical estabilizou em torno de 63 a 65 meticais por dólar, com reservas internacionais estimadas em cerca de 3,9 a 4 mil milhões de dólares. São números que indicam contenção, mas não ainda a expansão que o país precisa. A agenda para 2026: crescimento com inclusão Para 2026, a agenda económica envolve decisões estratégicas. O governo pretende conciliar estabilidade macroeconómica com crescimento inclusivo — uma equação que exige reformas no ambiente de negócios, expansão do crédito ...

Cabo Delgado: entre a violência e os esforços de reconstrução

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A província de Cabo Delgado continua a concentrar uma das crises humanitárias mais complexas de África. Desde o início do conflito armado em 2017, mais de 1,3 milhão de pessoas foram deslocadas internamente — e em 2025, apenas numa semana, cerca de 22 mil novos deslocamentos foram registados em função de uma escalada da violência, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, o ACNUR. A situação é agravada pela falta de financiamento. O plano humanitário para 2025 precisava de 352 milhões de dólares, mas recebeu menos de 20% desse valor. O número de organizações parceiras no terreno caiu de 78 para 56. Isso significa menos recursos distribuídos por mais pessoas em situação de vulnerabilidade. Sinais de estabilização e o papel do gás natural Apesar do quadro difícil, há sinais de esforço na direcção da estabilização. Forças moçambicanas e ruandesas mantêm operações no distrito de Macomia, que têm pressionado grupos insurgentes ligados ao Estado Islâmico a recuar d...

Startups e tecnologia digital: Moçambique entra na era da inovação

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Moçambique vive uma transição silenciosa, mas consistente, em direcção a uma economia digital. Startups locais, plataformas de pagamento, ferramentas de agronegócio e iniciativas de cibersegurança estão a surgir com mais frequência — e com impacto concreto no quotidiano das empresas e das pessoas. Fintechs e o ecossistema de inovação Na área financeira, o sector de fintechs cresceu de forma acelerada. A Associação Moçambicana de Fintechs, a FINTECH.MZ, realizou em 2026 a sétima edição da Semana das Fintechs do país, reflectindo a consolidação de um ecossistema que inclui soluções de crédito digital, seguros e pagamentos. O modelo é impulsionado, em grande parte, pelo alcance já estabelecido do mobile money. No campo da conectividade, a Starlink passou a cobrir 60% do território rural do país, com planos de expansão para 85% até ao final de 2026. O acesso a internet de alta velocidade em regiões remotas tem impacto directo sobre a educação, os negócios locais e a telemedicina. Agron...

Como o mobile money transformou a relação dos moçambicanos com o dinheiro

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Antes da chegada das carteiras móveis, a exclusão financeira era uma barreira física e geográfica em Moçambique. Para a maioria da população rural, realizar uma transferência ou guardar poupanças significava enfrentar horas de viagem até o balcão bancário mais próximo, lidar com burocracias complexas e taxas proibitivas. Hoje, o telemóvel deixou de ser apenas um meio de comunicação para se tornar o principal intermediador financeiro do país. Uma década de transformação em números A trajectória de digitalização financeira em Moçambique é um caso de sucesso no continente africano. Tudo começou em 2012 com o lançamento do mKesh (Tmcel), seguido pelo M-Pesa (Vodacom) em 2013 e o e-Mola (Movitel) em 2014. Em pouco mais de dez anos, o panorama mudou drasticamente: Explosão de contas: em 2020, o país registava cerca de 10,8 milhões de contas de moeda electrónica. Em 2024, esse número saltou para 19,8 milhões , reflectindo uma adopção massiva em todas as províncias. Penetração de mer...

Meio milhão de jovens entra no mercado de trabalho moçambicano a cada ano — e o país precisa estar preparado

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Todos os anos, cerca de 500 mil jovens chegam ao mercado de trabalho em Moçambique. O número impressiona não pela quantidade isolada, mas pela pressão que representa sobre uma economia ainda em transformação. A questão do emprego juvenil é, hoje, um dos debates mais urgentes no país. O desafio não é apenas criar vagas. É criar empregos de qualidade, produtivos e sustentáveis — algo que exige investimento em formação profissional, educação técnica e estímulo ao empreendedorismo. Para 2026, o governo prevê encaminhar quase 19 mil jovens a sessões de orientação profissional em todo o país, além de inserir mais de 10 mil em estágios pré-profissionais, remunerados e não remunerados, distribuídos por todas as províncias. A formação técnica ganhou protagonismo. O executivo pretende operacionalizar 13 centros de formação profissional e capacitar 3.300 jovens no Vale do Zambeze. Em Lichinga, está prevista uma Feira Nacional de Emprego e Empreendedorismo que deverá beneficiar cerca de 2.000 pa...

Moçambique passa a ter transferências bancárias gratuitas e instantâneas

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O Banco de Moçambique lançou em março de 2026 o Sistema de Pagamentos Instantâneos de Moçambique, o SPIM, e a medida representa uma mudança concreta na vida de quem usa serviços financeiros no país. Com o novo sistema, as transferências entre contas bancárias e carteiras móveis passaram a ser isentas de taxas, funcionando 24 horas por dia, inclusive em fins de semana, feriados e tolerâncias de ponto. A iniciativa enquadra-se numa estratégia mais ampla de modernização do sistema financeiro nacional. O objectivo declarado do banco central é tornar as transacções digitais mais rápidas, acessíveis e alinhadas com as melhores práticas internacionais. Na prática, quem usa M-Pesa, e-Mola ou mKesh para transferir dinheiro deixa de pagar taxas quando a operação envolve uma conta bancária do outro lado. Participação obrigatória de instituições financeiras A participação no SPIM é obrigatória para todas as instituições de crédito com pelo menos cinco mil clientes activos ou volume significativo...